21 novembro, 2010

GÊNERO E CONSTRUÇÃO DE DESIGUALDADES SOCIAIS

     Desde antes do nascimento nosso mundo é moldado pelas relações de gênero. Nossos pais, professores, amigos e técnicos se dirigem a nós como meninos ou meninas. O tratamento diferenciado dado a meninos e meninas é consistente na produção de independência e eficácia nos meninos, e sensibilidade, emotividade e dependência nas meninas. Gênero é uma influência tão persuasiva na sociedade que é muito difícil apontar sua dimensão (Gill, 1994).
     Como qualquer outra identidade (étnica, profissional, racial, religiosa, política) as identidades sexuais são historicamente construídas. A idéia de que somos originalmente divididos em dois sexos começou a ganhar força no século XVIII. Antes disso, a medicina considerava que havia apenas um sexo, o masculino, e a mulher era a representante inferior desse sexo. Sexo tinha como referência os órgãos reprodutores do homem, sendo a mulher descrita como um homem invertido, tudo nela era para dentro: os ovários eram testículos internos; a vagina, um pênis interior; o útero era o escroto; a vulva, o prepúcio (Costa, 1995).
     Porém, no final do século XVIII, começou a se construir a idéia de diferença dos sexos, já que os ideais igualitários da revolução democrático-burguesa tinham que justificar a desigualdade entre homens e mulheres, com fundamento numa desigualdade natural. A sexualidade feminina começou a ser definida como original e radicalmente diferente daquela do homem, existindo diferenças quanto a sua habilidade para exercer papéis na vida pública. No final do século XIX e início do século XX, a "diferença dos sexos" era uma idéia compulsoriamente imposta pela realidade biológica humana (Costa, 1995).
     Sendo originário das construções teóricas do feminismo a partir da década de 70, o conceito de gênero vem sofrendo transformações e evoluções, e mesmo é definido de forma diferente por correntes de pensamento diversas. Entretanto, se este conceito derivou-se dos estudos sobre mulher, considerar a perspectiva teórica de gênero significa, para Louro (1996), se opor a biologização das identidades: enquanto sexo designa a caracterização anátomo-fisiológica dos seres humanos e, no máximo, a relação sexual propriamente dita, gênero se refere à construção social de sujeitos, a partir de suas identificações com símbolos femininos e masculinos.
     Segundo Nicholson (2000) a palavra gênero pode ser usada de duas maneiras distintas e até mesmo contraditórias. Por um lado, "gênero", que descreve o que é socialmente construído, é usado em oposição a "sexo", que descreve o que é biologicamente dado. Por outro lado, "gênero" pode ser utilizado como referência a qualquer construção social que tenha a ver com distinção entre masculino/feminino, inclusive as construções que separam corpos "femininos" de "masculinos".
     Apesar do avanço da mulher no mundo esportivo e delas superarem paulatinamente os estereótipos e preconceitos relacionados ao gênero, a sociedade insiste na manutenção destes. Ainda se trata a mulher de forma diferenciada em relação ao homem. Os meios de comunicação, em especial, se preocupam em remarcar a relação do esporte com as vidas pessoais, familiares e profissionais das atletas, destinando o pouco tempo disponível das atletas, para que elas mostrem as glórias de serem mulheres e cumprirem com os papéis de mãe, esposas, amigas e estudantes ou trabalhadoras (Antúnez, 2001).


(Reportagem)

Carta ao Leitor

Olá, querido leitor.

     Neste blog temos a proposta de apresentar diferentes tipos de texto, inserindo o tema ‘Questões de Gênero’, onde pretendemos explicitar os problemas ocorridos na sociedade quando se fala nas diferenças de sexo, ou de opção sexual. Vamos abordar temas do cotidiano, que às vezes passam despercebidos por nós e acabam sendo, muitas vezes, um tipo de discriminação. Queremos refletir sobre essas discriminações e mostrar que não passam de um estereótipo ‘imposto’ pela sociedade. Esperamos que gostem e deixem duas opiniões sobre os assuntos abordados nos posts. Obrigado pela visita.

Barbie e Ken

Entrevista.

     Em nosso trabalho abordamos o conflito entre gêneros. Esse é um tema muito discutido hoje em dia visto que os empregos se tornaram mais uniformes.
Entrevistamos o casal de pré-adolescentes Felipe de 13 anos e Letícia de 9 anos, para vermos como se dá esse conflito nesta geração.

Primeiro entrevistamos Letícia:

Quais os brinquedos que você possui?
L: Bonecas, casinhas, artigos de cozinhas, maquiagens e etc.

Quais as profissões das suas bonecas?
L: Cabeleireira, cozinheira, modelo, entre outros.

Gostaria de ter bonecas com outras profissões?
L: Sim. Seria legal ter bonecas advogadas, engenheiras e com outras profissões mais masculinas. Elas ampliariam a nossa escolha profissional.

Possui bonecas de bebê. Se sim por que acha que é um brinquedo feminino?
L: Sim. São brinquedos femininos para estimular nas meninas o sentimento maternal.

Quais as suas brincadeiras preferidas?
L: Casinha, escolinha, salão de beleza e etc.

Logo após Felipe:

Quais os brinquedos que você possui?
F: Bonecos, carrinhos, jogos eletrônicos, jogos de tabuleiro.

Quais as profissões dos seus bonecos?
F: Heróis, soldados, esportistas e etc.

Gostaria de ter bonecos com outras profissões. Quais?
F: Sim. Gostaria de ter bonecos astronautas, policiais, bombeiros e etc.

Quais as suas brincadeiras preferidas?
F: Polícia e Ladrão, Pique - Esconde, Carrinho, Vídeo game e etc.

Qual a profissão que você quer seguir?
F: Engenheiro


     Analisando essa entrevista podemos perceber o quão conflitante é essa questão nesta geração. As meninas são educadas desde cedo a serem responsáveis pela casa e pelos filhos. Por outro lado, os meninos serão os responsáveis pelo sustento familiar e pelo trabalho pesado. Nos brinquedos podemos ver a discrepância entre eles; meninas usam bonecas para aprender a cuidar dos filhos enquanto os meninos usam soldados e esportistas para desenvolverem sua capacidade física. Visivelmente podemos perceber como ainda hoje a mente humana possui pré-conceitos estabelecidos sobre esse assunto.





Brinquedo de meninas e meninos




     Porque a maioria dos pais, ao verem seus filhos homens brincando de Barbie com a vizinha ou com a própria irmã mais velha, não gosta e até mesmo os repreende?
     Se pararmos para pensar, há divisão de brinquedos por gênero, porém isso não quer dizer que a criança do sexo oposto esteja proibida de brincar com o brinquedo. Esta divisão pode ser considerada apenas uma recomendação, algo que determinado sexo tende a gostar e a se identificar mais.
     O maior e principal exemplo de brinquedos recomendados para meninas é a Barbie. A cinquentona representa a juventude e a beleza feminina, ou seja, ela é o estereótipo da mulher considerada perfeita. Possui o corpo esculpido, o rosto com maquiagem, o cabelo perfeito e as roupas da moda, difícil imaginar uma menina que não sonhe em ser assim e um menino que não queira namorá-la.
     Para que ela não ficasse sozinha, apenas com as amigas, foi criado o Ken, o namorado da Barbie. Ele é loiro, musculoso e bonito, ou seja, mais um estereótipo, pois a maioria das meninas sonha em namorar ou casar com alguém como ele. O Ken também foi criado com o intuito de meninos e meninas fazerem companhia um ao outro na hora da brincadeira, já que antes a menina brincava em um canto e o menino em outro. Mas essa perspectiva não deu muito certo por causa do preconceito dos pais machistas.
     A Barbie possui modelos de pessoas famosas (como Beyonce e as Spice Girls), de personagens de filmes renomados (como Pocahontas e Rose, do filme “Titanic”). Além de ser perfeita fisicamente, seus atributos mentais e domésticos também são explorados para fins lucrativos. Muitos pensam que os empregos em que a Barbie aparece são considerados “para mulheres”, porém desconhecem que ela possui modelos como bombeiro, piloto de fórmula1 e técnica de informática. Tudo bem que são modelos de colecionador e são difíceis de encontrar, mas ainda sim, existem.
     Após os fatos expressos acima, como um pai ou uma mãe ainda proíbe o filho de brincar de Barbie. A boneca é algo mundial e, além disso, possui as mais variadas raças e descendência o que faz com que o brinquedo seja “socialmente correto”. E para que a infância seja algo bem mais divertido, tanto meninos podem brincar de Barbie quanto meninas podem brincar de carrinho ou jogar bola. 


20 novembro, 2010

A força da mulher.

Notícia

Discriminação sexual atinge desde adultos até crianças.


            É de conhecimento geral a separação clara das idéias de deveres e direitos de homens e mulheres, infelizmente ainda hoje podemos encontrar em vários setores sócio-econômicos certa desvalorização da integração de mulheres no setor comercial, financeiro, familiar, jurídico, entre outros. Infelizmente o mundo ainda não está inteiramente disposto a aceitar que mulheres possam fazer trabalho que normalmente homens realizam e vice versa.
            Como acontece hoje em várias empresas, mulheres têm cargos inferiores ao dos homens além de receberem menos pelos mesmos serviços prestados. As poucas que conseguem exercer um papel importante dentro de uma empresa contam que é extremamente difícil. Foi o que aconteceu em uma empresa de supermercados, onde alguns funcionários entraram na justiça contra o estabelecimento alegando que o varejista de sistematicamente pagar menos a mulheres do que a homens, dando aumentos menores e oferecendo às funcionárias menos oportunidades de promoção. Elas ainda confirmam o fato de que apesar de 65% dos funcionário que ganham por hora serem mulheres, apenas 33% dos gerente de toda a rede são mulheres.
            Outro fato que podemos ressaltar é o caso da menina Isa, de dois anos, que foi proibida pela escola de trocar as aulas de balé por aulas de futebol. Os pais contam que quando a filha contou-lhes que queria jogar bola, deram todo o apoio. No dia em que a menina foi vestida com o uniforme de futebol para a escola a filha não pôde participar da aula e ficou na sala de balé de castigo. Quando os pais foram questionar a diretora da escola sobre o ocorrido a mesma disse “meninos fazem futebol e meninas fazem balé”. A menina hoje vive dizendo frases feitas como “menina não pode”, “A ‘tia’ da escola falou”. Após o ocorrido, Isa não para de fazer comparações como “menino não pode usar batom” e fica na dúvida que se ela usasse apenas short, seria ainda uma princesa.
            Assim como no supermercado como com Isa, a sociedade é a grande culpada por isso tudo. Crescemos achando que meninos usam azul e meninas rosa, que homens vão trabalhar e mulheres cuidam da casa e dos filhos, hoje essa realidade é bem diferente, ambos os sexos podem fazer tudo. Quando a forma de pensar e agir de nossa sociedade mudará? Até quando vamos ter esses parâmetros? Precisamos aceitar as mudanças e nos adequar a elas, é preciso mudar.

Troca de papéis.