Como qualquer outra identidade (étnica, profissional, racial, religiosa, política) as identidades sexuais são historicamente construídas. A idéia de que somos originalmente divididos em dois sexos começou a ganhar força no século XVIII. Antes disso, a medicina considerava que havia apenas um sexo, o masculino, e a mulher era a representante inferior desse sexo. Sexo tinha como referência os órgãos reprodutores do homem, sendo a mulher descrita como um homem invertido, tudo nela era para dentro: os ovários eram testículos internos; a vagina, um pênis interior; o útero era o escroto; a vulva, o prepúcio (Costa, 1995).
Porém, no final do século XVIII, começou a se construir a idéia de diferença dos sexos, já que os ideais igualitários da revolução democrático-burguesa tinham que justificar a desigualdade entre homens e mulheres, com fundamento numa desigualdade natural. A sexualidade feminina começou a ser definida como original e radicalmente diferente daquela do homem, existindo diferenças quanto a sua habilidade para exercer papéis na vida pública. No final do século XIX e início do século XX, a "diferença dos sexos" era uma idéia compulsoriamente imposta pela realidade biológica humana (Costa, 1995).
Sendo originário das construções teóricas do feminismo a partir da década de 70, o conceito de gênero vem sofrendo transformações e evoluções, e mesmo é definido de forma diferente por correntes de pensamento diversas. Entretanto, se este conceito derivou-se dos estudos sobre mulher, considerar a perspectiva teórica de gênero significa, para Louro (1996), se opor a biologização das identidades: enquanto sexo designa a caracterização anátomo-fisiológica dos seres humanos e, no máximo, a relação sexual propriamente dita, gênero se refere à construção social de sujeitos, a partir de suas identificações com símbolos femininos e masculinos.
Segundo Nicholson (2000) a palavra gênero pode ser usada de duas maneiras distintas e até mesmo contraditórias. Por um lado, "gênero", que descreve o que é socialmente construído, é usado em oposição a "sexo", que descreve o que é biologicamente dado. Por outro lado, "gênero" pode ser utilizado como referência a qualquer construção social que tenha a ver com distinção entre masculino/feminino, inclusive as construções que separam corpos "femininos" de "masculinos".
Apesar do avanço da mulher no mundo esportivo e delas superarem paulatinamente os estereótipos e preconceitos relacionados ao gênero, a sociedade insiste na manutenção destes. Ainda se trata a mulher de forma diferenciada em relação ao homem. Os meios de comunicação, em especial, se preocupam em remarcar a relação do esporte com as vidas pessoais, familiares e profissionais das atletas, destinando o pouco tempo disponível das atletas, para que elas mostrem as glórias de serem mulheres e cumprirem com os papéis de mãe, esposas, amigas e estudantes ou trabalhadoras (Antúnez, 2001).
(Reportagem)
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